terça-feira, 1 de maio de 2012

Pra falar de amor

Amanhã quero me lembrar da nossa cama que hoje fiquei até mais tarde, de quando abri meus olhos e você permanecia dormindo com a tranquilidade de quem sonha no silêncio.
E não vou esquecer de todas as vezes que me cala com sua boca quando disparo falar tantas besteiras do meu dia, porque no fundo é isso que quero quando coloco seu corpo abraçado com o meu. Das cócegas que me faz e como se contorce quando aperto sua barriga no nosso quarto de refúgio de tantas horas na madrugada. Sua braveza de braços cruzados, rosto virado chamando meu nome com todas as letras quando tentamos nos manter em distância durante minutos infinitos, enquanto minha mão procura sua pele, seu rosto procura meu colo e nossos braços se encontram, sem mais palavras. Dos seus pés nos meus, das roupas jogadas, nossa boca grudada, seu suspiro antes de fechar os olhos e tirar os óculos. Das vezes que me pega mais cedo para aula e me olha com sorriso de lado e da play nas nossas músicas, vai embora com pressa e fico parada esperando dar meia volta e me pedir para entrar, que será mais cinco minutos, temos a vida inteira.
Hoje lembro de todas as vezes que senti raiva porque não entendia nada e ficava feito menina chorando trancada, mas que na verdade sempre gostei da sua mente de incógnita e das nossas mentiras tão bem contadas. E permaneço aqui, sonhando vidrada, pois meu amor tem lugar de repouso.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Enquanto crescem


Acordar e respirar para atingir o  indefinido, suportar entranhas regadas de incomodo com o discurso de indivíduos dotados de inteligência inutilizada e linguagem articulada. Vigiados pelo tempo que não larga,  um sujeito e qualquer outro caminha ao meu lado, sonhadores do mundo que não cessa.
Hoje conto uma verdade, dessas que muitos sabem e outros nunca compreendem...alguns não seguem o fluxo de  olhares encadeados em uma direção, ultrapassam barreiras geradas, arrancam o cabresto e por fim no universo de seres tão iguais aparentam pensamento de desordem, com placas em branco, sem destino nem banco de descanso. Não, não é confusão, só não compartilham ilusão.
Mudam apesar de constantemente impostos a ser, ter e fazer de maneira imperceptível desde que começam aprender, em geral violentamente sujeitos a pensar como todos, uma massa cefálica unificada tão individualista.


-Veja bem, essa é a verdadeira evolução.




terça-feira, 20 de março de 2012

É triste, a roda é muda





Hoje no fim da tarde bebíamos em um bar qualquer ao lado da Praça Ramos, entre risadas de bêbados, próximo de prostitutas escondidas na Boca do Lixo que começavam ocupar becos e vielas. Era praxe dos nossos domingos, rodávamos pelas ruas do centro da cidade sem destino.
Conversas profundas somadas a distância de tanta gente igual, que me causam um alívio costumeiro. Anoiteceu e resolvemos seguir em direção à baixa Augusta, mas Mirit não se levantou. Ela poderia me contar onde vai quando deixa o olhar assim, longe, fixado entre fumaça e copos , rodeada de tantas pessoas de lenda. 
Observo a face da menina estática, com atitude de quem cresceu cedo demais. Não acredita em contos, nem enxerga em cantos o Deus dos fracos. Olhos claros, nem sempre, é que mudam de cor, tão lindos, mas subentendidos, incógnita.
Fuma com volúpia, debate com firmeza. Politica, analítica, escritora cheia de mudança. Constantemente cansada, subitamente revoltada. Efervescente social, provocadora da real, apela por mudança, sofre com desencanto pela vida. Anda com frieza nos corredores de julgamento, e permanece livre de tantas maneiras.
Melancolia sem fim que me domina, poucos sorrisos mas puros. Minimas palavras que valem por um discurso e desmorona qualquer suposto intelectual.


- Mirit, levanta.


Um silêncio propagado com olhar de quem procura existência efetiva me atingiu com violência.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Vida 1: Clama o padê 


Passou entre calçadas jogadas, corpos quebrados e nada fez. Engraçado pensar no descaso desse olhar, sendo que  estiveram congelados com o susto de palavras imundas reveladas quando era ainda inocente, e hoje anda como se tudo estivesse bem, não se importa.
Houve um tempo que foi oposto, agora suposto. Era revolta, nesta hora pouco faz.
O menino cresceu e estagnou, Síndrome do Peter Pan? Nada, inaceitação da realidade. Acontece que não manteve-se criança no sentido puro ou bom, virou homem no corpo e sexualmente, obstruído em drogas leves, pesadas, cheias de gargalhadas. Então encontra-se a explicação para os olhos ágeis mas fundos, mordido. E permanece com atitude de quem brincava com carrinhos.
Seu tempo é vazado, cada minuto narciso, vingativo, tão rápido que esquece de viver.
Rodopia no centro velho de São Paulo, parece uma daquelas historias de filmes de 60 ou 70 cheios de descobertas, mas esqueça o atrativo das telas, o filho da mamãe, paga, consome, vira os olhinhos.
De Rua Augusta à República, é o canto de refúgio, vai de leste a sul, de norte a centro, ocupado com fel na garganta.
Um, mais um, mais dois, mais. Desce um, com gelo. Prepara, prepara três.
Joga sete, tenta mais uma vida, que esta você perdeu.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Quando percebe o desgosto do gasto

"Disfarça que não tem tamanho
Nem foco, nem brilho, nem alma, nem cor..."

Os dias ensinam que nem tudo é visível e nos arrastam com esse vento abafado da cidade iluminada, nessa noites de ilusão quantos andam em espaços de telas em branco?
As avenidas feitas de filmes mudos, nítidas na  madrugada, conturbadas pelo dia.
E permanecemos estagnados,  mas o sangue rápido, transcendente.
Seres com fel no olhar, fúria no falar, maldade replicada. Quantos erros repetidos, quanta gente sem nada.
Humanidade em escala preto e branco, vergonha retratada aos poucos, mentiras em seus devidos lugares.
Conformistas surrados, maniacos alucinados, zumbis de São Paulo, mortos no Mundo.
Meia dúzia de questionadores e bocas caladas, artistas,  humanos que denunciam.

- Nossas expressões em arte como refúgio dos que enxergam através dos muros, falas e vidas formuladas.
- O que pensamos? Viva nosso cérebro por nada!
- Viva nosso refúgio em vão !
- Mas entre mares e espinhos, os gritos podem chegar aos ouvidos dos que querem.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Meu palco



De frente, olhar no espelho, trêmulos vinhos encaram o reflexo dizendo quem deve se tornar, deixar de ser, o que almejar.
As pernas bambeiam e tentam seguir espaços distintos, forças da vontade que são obstruídos em um mundo que tudo é pronto, fácil, mas profundamente é aparência, não tão simples, a sabedoria é comprada e o tempo é ilusão. Opções que cercam e mentem.
Sentar confortavelmente no sofá e imaginar o que poderia ser, mas não é. Sentir a força virando lama, revoltar-se em vão, lembrar que inclusive a inteligência é manipulada e vale caro.
Então sonhar para poder crer, imaginar para mudar, mas levantar e respirar fundo. Gritar as verdades, as nossas. 
Viver em busca, ou em nada. Sorrir, contudo há sentido. Voltar, rever a imagem do passado, lembrar os sonhos da inocência, o sussurro leve da menina que cantava:
- "Saiba o caminho é o fim mais que chegar."
E viver e viver e viver...








domingo, 15 de janeiro de 2012

Home is wherever I'm with you

Apaguem as horas que entristecem o riso limpo, pois chorei quando escutei nosso amor tão de perto.
Realidades inventadas para admirar o submerso em nós.
Ela que preenche o vazio do estômago e o efeito de calafrios na nuca, dos sorrisos sem fim das tardes sem graça.
Esses olhos borrados e arrastados são mais que lágrimas, desgaste de amantes, sentimentos entrelaçados e que desaprenderam caminhar sozinhos.
Sem desespero, nos acostumamos a pertencer como um só, corpos unidos, mentes em conexão.
Tão sua que me perco imaginando o labirinto que é seguir sem te ter, sussurro:


- Me leve onde estiver.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Ela tem o bem que tem


Tom do mar, jeito de acompanhar e roda saia, virada no som das alfaias.
É a pele que chama, passa cachimbo, traga fumaça, menina morena que bamba, mas não deixa de dançar.
Cheia de liberdade, e com tanta vingança, quanta fúria no seu canto, quase cigana.
Sedutora, Maria Padilha do cabaré, sete amores e eu sete mentiras para contar.
Traz chuva do Norte e brilho no sorriso malandro, de canto, encanta, faz iluminar.
Mística nos chama, amante que leva para cama. Mulher, me leva e engana. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Conforme


"Trabalhar embriagado com seu discurso decorado de palavras que nem ele compreende"

T
arde sem pensar, não, mente sem desaceleração com relances brancos, turvos, não sei não.
Me roube ladrão, leve tudo de vez, boca calada e as mentiras para aceitação.
Quantos homens que vivem em vão e comem os farelos da própria gana, rasgam o peito de ganância, sujam as patas com a fome alheia. 
Comem o pão do diabo com a condição de deitar na colcha de seda e salivar suas projeções de vida perfeita.
Contam suas mentiras cheias de ilusão, sobem com o vicio na maldade, esses animais de sangue quente tem um veneno letal. Atitude regular, pessoa no singular que tem a mente do coletivo de repetição, mas vive individualismo repugnante.
Então, suja consciência, não nos renderemos mais.

-Devaneios, quem não faz, fará.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A mesma grana que compra o sexo, mata o amor

Menina doce foi embora, as luzes da cidade atravessaram os olhos, mas envenenaram seus sonhos.
São Paulo engana, prive imundo, descobriu seu jeito de ganhar o pão que come, pó que consome e faz esquecer a vida que carrega, não tem opção, perdição.
Espera o fim do sofrimento, cada hora um homem, vazios sem nome, solitários violados, mulher produto, amor rasgado.
Os becos fundos sem corrida, trocados de violência, povo sem essência.
 Desgastada, quanta lágrima violentada e esboçada em desdém, finge feito artista.

- Só mais uma vez....

sábado, 19 de novembro de 2011

Pra lembrar de nós


Pois desabei em cisma de insistir e dizer que é só você que faz o meu bem querer.
Que te procurei em qualquer rosto, em todo gosto.
E foi que assim decidi  dormir e sonhei que contava sobre nós, e ouvia gente maldizer que era ilusão.
Se fosse meu amor, para você já não cantava, nem ninava nenhuma canção.
Quantas vezes quis deixar e partir, maltratou nossa vontade de permanecer a dois, mas veja quem ficou, porque a verdade é que o amor queria brincar de fingir.



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Quis agir da mesma forma


Parados na velha República, com a chuva e os carros esfumaçados, ruas de história, pessoas sozinhas, a praça mordaz :

- Quantas almas furadas na cidade  formulada, gente pior que o trapo jogado, são ruins por influência, nada de  natureza, falas indecentes.
Ignorantes de qualquer tipo, o escroto que menospreza o nacional, nacionalista cego, ou o apático irracional.
 Os bêbados fugitivos da real, samba, libertários violados, religiosos, os poetas, juventude covarde, adultos, falsos moralistas defensores de uma realidade irreal, quanta gente igual.
Então me conta, diz qual a diferença entre o cidadão médio e o grandioso nada?  Explica, vão além de outros mais?

-Vale mais o bolso recheado que o conhecimento compartilhado entre os iguais. 


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Mais vezes você me ganha

É seu sorriso que valorizo mais que beijos desconhecidos, prefiro amar assim do que vagar sem porque.
Juro que não importa se vão dizer que é inocência sem fim em sentir e saber, pois há quanto tempo, em encontros e desencontros, evidências que não calavam, mesmo com fuga.
Sabe que o tempo nos trouxe, não importa de onde veio, apenas preciso.
O telefone quando mudo e a vontade de correr, te trazer perto, mostrar que de frente, nosso olhar visa mais, é conexão, puro afeto, nada além de nós, nem a mais do que fomos, nem menos do que somos.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Vende-se sonhos

Pensamento feito música, canto de felicidade, manso da verdade, que vontade de sonhar.
Coloca os pés no chão, tem que ser alguém na vida, mas me contem  homens de mentira, quem decretou essa lei? Se documentado estivesse, lamentável seria...ou é.
Quanta fala repetida, quantas cabeças computadorizadas, inúmeros olhares envergonhados que não prestam aquilo que deveriam.
Não, isso nada tem com subversão, é uma tentativa, talvez falha.
Trem parou, café, gritou, o relógio de ponto quebrou , veloz, é tarde. 
Correr pelo certo, você sabe que tem que aceitar. Silencia, confusão que não para.
O mundo corre, nós sobrevivemos, vivemos, o tempo que restar.


domingo, 30 de outubro de 2011

O silêncio é companhia

Partida do marinheiro, um cais que não existe nas novas historias. 
E o reflexo de saudade que assusta.
Quanta besteira lançada na surrealidade do nosso ser e sentir.
Agradável aceitar, degradante ser contrário ao nosso mundo.
Pedaço do passado , sangue estancado e racionalidade sem fluxo, ela chora a Ogum, nem guerreira é.
Mente desfocada, garganta fechada, se chama de egoísta, o mundo vira e somente pensa em si.
E quem disse que aquela é feita para sentir, não sabe a dor de alguém que se foi e daquela que estagnou sem contar:


- Fica um pouco mais.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Amores nos vagões



Se há desilusão não é por querer, e não vejo novidade, pois assim nunca é.
Conexão que era, saudade que fica.
Quem sabe, um trecho deixasse: 

-Não me conheço e vivo a prometer, desapareço tentando disfarçar.
E me desculpa quando eu for sem explicar.
Parece fácil, difícil é sentir, tenho e solto e completo quebrando.
Se um dia me encontrar, depois de tanto, segura minha mão e não solta, aqui houve verdade, mesmo com omissão.

E uma omissão mulher, é pior que uma mentira?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Fratura (não) exposta


Avenidas velozes, bairros parados, esquinas desiguais e templos fechados.
Passo entre carros e rostos exaustos, desenfreados.
O dia prossegue, povos de alarde esfumaçam o céu.
Zepelins, na cidade que não para, jogam no ar frases avulsas de alerta que tentam se acoplar em cabeças restritas as quais desviam com aspereza.
O dono da verdade é um eterno enganador e os senhores da mudança são fundadores de ideologias falhas.
Subversivos se tornam enfim iguais a todos, que são peças e não sabem que jogam.
Ultra-modernos, ultra-passados, movimentos de ignorância, banalidades.

-Olha só, quantos homens sem gosto de viver, fazendo status e imagens de porcelana.
Irônico, vivem a espera de nada, aquele tudo que vem em notas novas.
Veja só, o homem nasceu para traçar paralelo com o mundo e  não fazê-lo sua propriedade.
Inusitado ou óbvio, evoluem materialmente retrocedem mentalmente. 



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Evidente



Escutar mentiras na boca da malícia, animais peçonhentos.
Sentir a maldade de corpos amargos virando fumaça tóxica. Efeito sobre efeito, auto tortura.
Enquanto o mundo morre, o egoísmo de massa maltrata, a ignorância restringe, cabresto atrapalha.
Difícil enxergar quando os olhos se dirigem em única direção, fácil soletrar em tom de superioridade.
Mentalidade seduzida com ideais de maioria, pensamento por si só é inexistente, pedras brutas lapidadas.
Verdade camuflada, mentira ultrapassada.
E a essência? Perdida.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Idealizei que a minha visão jamais seria obstruída por ele.
 O teu comodismo é combustível do meu ódio.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Incolor



Pollyanna quebrava adultos com seu jogo do contente, mas esqueceu de explicar que o mundo é amargo e nem todos querem entrar.
Esse lugar é uma casa fraca, cheia de homens prestes a queimar suas paredes finas.
Surreal que o olhar dos porcos sobre os renegados é de invisibilidade, mas quando desejam, usam tanta repugnância como se avistassem corpos putrefatos.
Incompreensível viver em prol de uma lógica sem raciocínio.
Animais artificiais movidos a vapor, carvão e hoje gasolina, petróleo, moeda.
Pensei que pudessem brincar como ela fez, e quem sabe, transformar computadores em humanos.
Quem agora se importa com uma mentira trancafiada em um livro?  

-Existe um lado menina, o da mentira humana.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Quem me ensinou a te dizer

Desde quando existe essa formalidade entre nós, o tempo distante de dois, a verdade calada a sós?
Como se em cada corrida, você de costume chegava à frente, eu de praxe enfastiada de nada, e me colocava no colo e deixava teu canto acalmar...
E tudo normal, se a ilusão envergonhada que contei fosse bem mais real que a sua realidade sem dó.

domingo, 21 de agosto de 2011

Tece a mesma antiga trama

O amor tem um jeito de não se entender, tão incompreensível.
Corre quando quer ficar, mas volta pedindo calma. Inventa de partir, se afoba e afoga.
Aparece com um jeito manso, faz o peito encher de vontade e o tempo parecer pouco perto, mas longe cem anos passados. 
Alguns pontos de amantes são entregues em profundidade, até para aqueles que falam no amor como lenda.
Faz parecer a imensidão do mundo coisa pouca, submerso em nada, porque se torna tudo. 
Mas posso ouvir agora, sua fala, seu canto :

Chama o meu nome e faz o tempo durar mais para gente se ter.
Não deixa ele escorrer, não deixa a vontade fugir.
Eu quero durar infinitos anos no encanto.
Guardar mais que palavras sem defeito.
Quero ruir no seu peito, ouvir o seu sono, entrar no seu canto.
Me deixa correr no seu sangue, chorar o seu choro, juntar sua ideia.
Não quero deixar eu me acabar , nem ir embora com o vento .
Posso quebrar incompleto, um eu sem seu.
Bem além do que pode notar e deixo desvendar todos os mistérios, serei dois em um.



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Here we go, here we go

Suas mãos mergulhadas em tinta e as nossas aceleradas no tambor.
O corpo inquieto estremece com a música e o calor intenso de mentes surreais.
Humanos além, entram em si sem restrições.
De fora olhos descrentes pensam em ritual. Um mestre de cerimônia com o rosto tampado apresenta em gritos sua revolução.
Ação, e isso não é um filme, são nossas vidas em vida, não em jogo.
O barulho alto, o erro enverga.
Comin straight from the underground, os poucos que se tornam muitos.
E comemoram - eles caíram. 

domingo, 17 de julho de 2011

Sensato e previsível

Memórias podem ser escondidas, disfarçadas, mas sombras... Se apagam?
Dois corpos se afastam? Ou juntam em pedaços.
Idealizou, errou. A última palavra derramada soou em despedida.
Letras de um adeus nunca dito, encoberto com mãos que se soltam.
Ultrapassado todo cansaço e desgaste de amores estirados em leito, quem ousa reclamar se até os maiores amantes fartam seus rostos em lágrimas.
Transformar gestos leves em armas de fogo, bomba relógio exatamente programada para acabar.
Paixão que engana, como quem se deita e finge.
Verdade que condena e mata o amor.

A expressão



Ruas de ilusão, que atraem mistura de povos, chama um por um, em tom de amante fria.
E para que falar mais em desigualdade, se esta jogado e estampado na face do país? 
Reclamar mais do erro de um Brasil brasileiro.
Gritos reprimidos, com uma boa cachaça e um botão de fuga e desligue em cada cérebro.
Quintos renegados, postos nos cantos da cidade.
"Metrópole, centro financeiro."  Escutar os tantos vazios orgulhando-se, me enoja.
Ouvir o tom de superioridade, daqueles que possuem e o de inferioridade dos que desejam, é quase insuportável. 
Falar e não solucionar, fácil, eu digo. E parar e reclamar.
Caiu a ficha? Passou do tempo.

sábado, 9 de julho de 2011

Passamento

Escutava os chamados, colocava Hendrix e Vinicius na vitrola, depois de um ou dois baseados.
Corria pela terra roxa e voltava, ouvia as reclamações e pensava viajar o mundo. Coloquei no prato uma meia dúzia de ideias  e sonhos, engoli seco na vida. Jovem demais.
Senta aqui, me deixa contar o que vi, esta frio, congelando, igual aquela noite.
Há anos, tudo dava errado.
Era uma cara comum. Sofri de amores, vi mulheres me renegando, mas você foi a pior delas.
E se um dia pensei e deixei de acreditar na existência de toda a banalidade amorosa que escutei nas canções, quando te conheci eu soube.
Se todas as juras, não me fizessem ficar e todo meu eu me dissesse para fugir...
Sua boca, carinho hipócrita, me manteve preso, cercado por esses muros de falsidade.
Deitei na sua cama aquele dia, teu choro me prendeu,  suas palavras de confiança me disseram que era amor. O mesmo lençol, de outros.
Mas tudo bem, essa deveria ser mais uma das vezes que nos esquecemos do que foi e convivíamos com o momento.
“Eu não quero mais” , como é grande essa mentira,  poderia fingir acreditar, para variar, um pouco, para mudar. Engano-me.
Bem que  me avisei, mas fui para ver, o quanto era grande meu engano.
Faço dos meus, um drama. Acho que não sei viver.
Coloco treze e poucas  pedras no caminho e fico sentado, com medo de tropeçar em meus obstáculos.
Criei passos, dias, meses, essa cidade tão cinza, como nós. Criei amores novos, fingi naturalidade, formalidade, desapego.
Não quis te convencer e onde parei... Achei que tudo assim, enfim, ficaria calmo, talvez. E mudei. 
O que me tornei? Vazio.  Sou frio, calculo meu tempo, pensando em mim. Sou banal, descrente, me sinto sabotado por eles.
Há tanta confusão, tanto rancor.
Pensei não existir nada além, linearidade, estabilidade, inexistentes. Eu bicho, me sinto hoje, assim, um animal, extinto e só.
Meu egoísmo grita, mais uma vez, nunca fui tão solitário, estive em outros braços, lábios distintos.
Gritei : “corre, corre.” , mas cai, em queda livre.
Quis vida e você me tirou. E se não tirou, sou dono do meu.
Uma cartela e meia com um bocado de whisky.


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Se acendia

Um pouco de amor e outras drogas.
Roupas e falas espalhadas, vontade sem avisar.
Par de palavras desligadas. Um baú de pinus gasto.
Tudo como nunca foi, ela sorri, meia luz.
Metade do caminho, fios de coração. Um terço de suspiros.
Vestido colorido e cabelo bagunçado. Distância do ar de São Paulo.
Observa do alto, vento e tempestade que chegam, com aparência de 30. Tabaco, copo na mão e apaga o som.
Terra seca, sexo frágil. Olhe bem, será tão frágil meu bem?  
Com vermelho de Iansã e com canto para ouvir. Mais forte.
E um dia disseram, que era de se acostumar. 
Comunicação e bocas. Corpos e risos. Misturas.
De vida e amor, difícil completar.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Human race


A tal formalidade, inexistente, de bichos.
Incansável busca, desenfreada, que vale tanto para muitos, mas, é tão pouco.
Ando em passos largos, mas lentos, na repetição dos dias, nos meses iguais. 
E não muda, não mudo. Essa minha estagnação, meu correr que se estende em palavras e pensamentos, apenas.
Essa justificativa popular, que esta é a ordem  inevitável, a tão falada natureza humana, me rompe em vontade de gritar.
Desculpas, para o egoísmo mais que particular, muito mais que posse única.
Vasculham, em qualquer meio, para tentar explicar porque suas mentes se restringem ao que enxergam, ou ao que ensinam e que evidenciam em suas cabeças formuladas, fracas, programadas. 
Preenchem suas respostas com ideologias furadas, preceitos religiosos inquestionáveis. Até que ponto? Em qual fim?
Critico demais, pareço tola. É, não me importo, ou, me importo demais. 

domingo, 29 de maio de 2011

Reflexivo



Esse próprio eu, somente meu, que não saberiam extrair.
Descobre e se entende
Estimo acertar com os meus. Vasculho o que desvende. 
Ao fim, dentro, linhas sem ponto. Chegadas sem encontro.
O dia que encontrar, assim, enfim, cuidarei das próprias perdições.





domingo, 15 de maio de 2011

Natural existência


O colapso de um sistema, contudo todos dependem. Circulação, batimentos, os movimentos cessam porque precisam dele. Lapso em vida. Erro de uma era surrealista, intocável.
O belo de um simples, que ninguém enxerga. De um jogo de palavras que invadem e enganam. Mais do que sobra, do que realmente é.
Um sonho que tive, pedaços de fogo tocavam minhas mãos, em cubos, sussurros me pediam que atirasse contra o incerto. O bate pronto é mais fácil em um mundo entregue, em mãos que não constroem mais nada.
Os motivos ficam avulsos aqui, não conseguem levantar. O olho do mundo, é cego. O pedaço deles, é surdo. E a verdade, assim, permanece muda.
Tentei encontrar um motivo, um mapa que levasse onde nunca chegaram, sempre, desisto fácil, me torno repetitiva. É uma cópia de uma outra, que nunca foi a única. 
Criam um passado de acordo com o que querem, quem contou? Quem sabe? Tentam prever, achar uma continuação do presente imperfeito. Tão imperfeito, mas bem provável. A incerteza de nossa fiel natureza.
Continuo e tento fingir, arrancar as falsas possibilidades, a vida como é. E ela como é? Insuficiente tal para a descoberta.
Fico metade, entre o conjunto cheio e vazio, fico na espera do alcance.