Vida 1: Clama o padê
Passou entre calçadas jogadas, corpos quebrados e nada fez. Engraçado pensar no descaso desse olhar, sendo que estiveram congelados com o susto de palavras imundas reveladas quando era ainda inocente, e hoje anda como se tudo estivesse bem, não se importa.
Houve um tempo que foi oposto, agora suposto. Era revolta, nesta hora pouco faz.
O menino cresceu e estagnou, Síndrome do Peter Pan? Nada, inaceitação da realidade. Acontece que não manteve-se criança no sentido puro ou bom, virou homem no corpo e sexualmente, obstruído em drogas leves, pesadas, cheias de gargalhadas. Então encontra-se a explicação para os olhos ágeis mas fundos, mordido. E permanece com atitude de quem brincava com carrinhos.
Seu tempo é vazado, cada minuto narciso, vingativo, tão rápido que esquece de viver.
Rodopia no centro velho de São Paulo, parece uma daquelas historias de filmes de 60 ou 70 cheios de descobertas, mas esqueça o atrativo das telas, o filho da mamãe, paga, consome, vira os olhinhos.
De Rua Augusta à República, é o canto de refúgio, vai de leste a sul, de norte a centro, ocupado com fel na garganta.
Um, mais um, mais dois, mais. Desce um, com gelo. Prepara, prepara três.
Joga sete, tenta mais uma vida, que esta você perdeu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário