domingo, 20 de outubro de 2013


Dissonante amantes não amados.
 Emergimos no sussurro de apaixonados.
Desviei o olhar de quem me chama, seguimos as vozes de aconchego.
Engano na hora corrida e o corpo se afoga, um tempo, dois, volta.
Levantei da nossa cama, corri só.

 Sozinha não se ama.

sábado, 19 de outubro de 2013

E você sempre espera o outro dia né Zé, pra ver se a vida muda e se o dia vem ameno, mas fica tudo igual, não é, Zé? 
Então pede mais um tempo, quem sabe amanhã vem transformado de ontem ou melhor que hoje, só, mesmo
só, cuidado, ouvi que hoje é pleonasmo. Hoje nada tem de conciso. É sequência do que foi. Amanhã é ordem de hoje que virou ontem. Ontem antecedeu hoje e é resultado do amanhã do hoje de antes
Antes de você sorrir, Zé. 





domingo, 22 de setembro de 2013

Seu corpo esteve afogado, ainda que com os pés apoiados, a cada passo, demorado.
Existem lamentos, posso ouvir na boca que cala, que sorri amargo e gargalha sem força.
Escuto em cada canto a infelicidade daqueles que buscam e chegam em nada. Em cada rosto.
Temos e somos nossos medos.
Podemos e devemos segredos.

- Sorrir no dia pra calar.

sábado, 27 de julho de 2013

Preciso dessa metade de verdade, sugiro um pouco de fragilidade, um punhado do que esquecem.
Prefiro explicar o que não é necessário, sugar o mundo através dos olhos marejados, surgir sem ninguém.
Recuso o tempo de contradição dos dias lentos de quem se levanta e repousa na mesma posição.






quinta-feira, 11 de abril de 2013

Difícil escutar na cidade que não cala
Impossível se levantar no dia que me acaba
Sofrido não ser escutada na vida que ignora
Sufocante adormecer nos dias de batalha


segunda-feira, 11 de março de 2013

- Vinte minutos, vinte anos
  Quero vida real


Não era o que diria, mas disse.
Nem o que pudesse sentir, senti. 
Não era o que eu faria e fiz.
Para que tanto enfim, no fim, seja sim.



quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Olhar, através de si ou de ti.
Hoje vivi todo nervo do meu corpo, cada fragmento prolixo, quantos mais e quantos quais.
Universo que  expande na abertura do olho, na gota da pupila, na velocidade das mãos.
Chama, clama por vida.  
Chora por morte, mas suspende o riso real nos dias de sempre.
Hoje ouço, espero e suspiro fadigada, com fel e monotonia.  
Deito e me sinto viva, me levanto e me sinto sem ou sigo e me sinto por menos.
Ouvidos impuros, rosto maltrapido, gestos bruscos, mas ainda sinto. 
Distingo. Enxergo. Penso.
E é o princípio.
Por tanto eu segurava forte enquanto o seu corpo desabava em cima do meu
Por tudo, sorriamos entre pausas de silêncio, meu olho parado em cima do seu, sua mão calada na minha
Por quanto o sofá rasgado, luz fraca e eu, só eu só



quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Hoje é quarta-feira e essa mediocridade me enoja. Hoje é quarta-feira e tudo se transforma, menos as  tantas pessoas restritas. Hoje é quarta-feira de mais algum ano qualquer de vidas a mais em um planeta destruído.
Pessimismo não, realismo nem tanto, algumas vezes prefiro o fantasioso, mas por circunstâncias de humanidade ultrapassada, sou obrigada viver nessa realidade inventada e bem mal contada, muito mal contada.
Hoje é Outubro de novo, tudo se repete. Hoje é mais um Outubro que caminho dentre as mentiras que me foram contadas, sugadas desde as primeiras luzes que embaçaram minha visão sem noção de mundo. Um outro que meus passos estão em meio as verdades em que me arremessei, mas que ninguém remediou e me calo. 
É o caminho, eu apago. 
Mentes surradas, vozes pressionadas, permissão em se manter calada.
Grito no vazio.


sexta-feira, 3 de agosto de 2012


Alice,

Me sinto mais sozinho do que nunca,  queria voltar para vocês, para o Ale, nossa casa, as festas, nossa rede e o céu limpo.
Aqui é madrugada e está mais gelado que o normal, ou eu que não me acostumei, coloquei duas calças e uns três casacos e nem assim, tem um cobertor nos meus ombros e um litro de conhaque com sabor de nada em minhas mãos, venta forte e as árvores tremem, meu corpo também. Da janela vejo a praça fria, coberta de geada, dois discutem em berros, a luz do poste não para de piscar, tem uma menina sentada no banco preto com as mãos no rosto, chorando agudo e por alguns segundos senti dor por ela, mas olhei bem para mim... Eles poderiam silenciar, bastaria minha insônia. 
Os últimos dias estão bem mais vazios que o normal, sinto falta de cada minuto com Jodie, me apaixonei ou foi apenas carência,  nunca te disse, mas a distância do Brasil me causa espanto, me sinto incompleto, não sei que piração foi essa de deixar todos em casa, não sei o que busco aqui, mas você conhece a minha inconstância.
Mal durmo, trabalho muito, hoje foi minha folga, grande merda, o tempo não passa mesmo, ao menos no trabalho depois de lavar as privadas mijadas e de gorfo de cerveja sempre encontro alguém, ofereço umas doses, uns baseados e arrumo qualquer tipo de afeto pra mim. A Jodie tem outro ou outra, machuca, é, sei que contei do nosso tipo de relacionamento, mas nunca funcionou, pelo menos para mim. Pensar em cada minuto que ela pode estar em outra cama me faz surtar, o adeus sem palavras me fez  ficar assim, então busco alívio procurando ela em qualquer um, nas prostitutas da Red Light e nos caras do apartamento 74. 
Ela não é a mulher que qualquer um desejaria, mas eu quero, acho que foram os coturnos sujos, a calça rasgada, aquele cabelo mal cortado, o rosto de quem acordou agora, o óculos torto, a velocidade das palavras que acompanha sua inteligência, meu lado sapiosexual.
Há umas horas escutei ela chamando meu nome  e apertando a campainha enquanto tentava parar de me drogar nesse quarto vazio, corri até a porta e olhei no olho mágico, ela estava nua, eu juro, me chamando. Arrumei o casaco, abri com rapidez e nada, apenas as portas fechadas, me reclinei no batente apoiando a cabeça até cair, chorando, só, de novo. O Ian do 74 desceu do elevador e me arremessou umas palavras, arrastou meu corpo até o carpete vermelho da sala, colocou um cigarro na minha boca e deitou do meu lado, mas depois de meus soluços e do silêncio anexado as frases ignoradas, ele me deixou aqui. Depois vieram os outros, abriram a porta e falaram rápido demais para que eu pudesse entender, tentaram me fazer comer e depois prepararam mais um. Irônica essa tentativa de ajuda? Me acostumei, aliás o costume é corriqueiro nesses dias repetidos. Não vi ninguém saindo, estava escuro o suficiente para que não enxergasse nem ouvisse nada. Acordei coberto, os berros na praça soam alto aqui, sentei na beirada da cama pedindo que o tempo ficasse curto.
Veja bem, quanta fraqueza tenho guardado em mim, me falta vida e principalmente coragem para voltar e pedir mais um pouco de colo e algumas horas de conforto. O olhar dela antes de sair por essa porta, a dor dentro de mim, mal consigo abrir meus olhos e respirar com facilidade, sei que ela quer voltar, eu sei Alice.

T.

sábado, 30 de junho de 2012

Díspar


    Ser humano é ser ela, ele, elas, eles.  


De quem é a culpa se agem de maneira que a fizeram ser e se quer conseguem subverter uma ordem de seres que se gabam por tantos fazeres, por fim inúteis, por caminhar em duas patas, enfim tão iguais a tantos animais?
Não enxergam que nutrem um vida em vão deixando-se tratar com submissão, esse luto e terror internos são tão bem camuflados por quem leva seus dias de mentiras disfarçadas, que tentam preencher o vazio dessas mentes desfocadas com ideias pré formuladas.
A culpa é de quem se suas bases são a próxima coleção, vida padrão, status imundo, as superfícies particulares que tentam atingir um protótipo tão decadente? 
O espelho esconde suas verdades,  seus corpos não deveriam abrigar uma mudança que grita mas permanece renegada em um canto.






sexta-feira, 1 de junho de 2012

Humanoides

Escrevem no asfalto em giz branco todas as suas metades, mas nenhum ninguém tem olhos que enxergam, acaba transformado tudo em  zero, mal se mistura com o vento, ficam soltas, vazias, sem ar. Tamanha convicção que as mãos ficam em punho, resistência, a boca trancada, não adiantaria clamar e as outras visões embaçadas.
Quantos passam e se quer avistam estes que desenham veraz nos muros e derramam óleo quente em tantas vidas análogas, é que o relógio tem pressa, a carne exposta não incomoda nem os faz mudar e a queimadura faz parte do dia de quem permanece de tapa olho. Existem tantas mentiras provocadas por quem tem intenção, absorvidas por tantos que passam os dias em vão e mostrar a verdade é  demência , é confusão.


- Me diz, quanto é que vale sua ilusão? 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Pra falar de amor

Amanhã quero me lembrar da nossa cama que hoje fiquei até mais tarde, de quando abri meus olhos e você permanecia dormindo com a tranquilidade de quem sonha no silêncio.
E não vou esquecer de todas as vezes que me cala com sua boca quando disparo falar tantas besteiras do meu dia, porque no fundo é isso que quero quando coloco seu corpo abraçado com o meu. Das cócegas que me faz e como se contorce quando aperto sua barriga no nosso quarto de refúgio de tantas horas na madrugada. Sua braveza de braços cruzados, rosto virado chamando meu nome com todas as letras quando tentamos nos manter em distância durante minutos infinitos, enquanto minha mão procura sua pele, seu rosto procura meu colo e nossos braços se encontram, sem mais palavras. Dos seus pés nos meus, das roupas jogadas, nossa boca grudada, seu suspiro antes de fechar os olhos e tirar os óculos. Das vezes que me pega mais cedo para aula e me olha com sorriso de lado e da play nas nossas músicas, vai embora com pressa e fico parada esperando dar meia volta e me pedir para entrar, que será mais cinco minutos, temos a vida inteira.
Hoje lembro de todas as vezes que senti raiva porque não entendia nada e ficava feito menina chorando trancada, mas que na verdade sempre gostei da sua mente de incógnita e das nossas mentiras tão bem contadas. E permaneço aqui, sonhando vidrada, pois meu amor tem lugar de repouso.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Enquanto crescem


Acordar e respirar para atingir o  indefinido, suportar entranhas regadas de incomodo com o discurso de indivíduos dotados de inteligência inutilizada e linguagem articulada. Vigiados pelo tempo que não larga,  um sujeito e qualquer outro caminha ao meu lado, sonhadores do mundo que não cessa.
Hoje conto uma verdade, dessas que muitos sabem e outros nunca compreendem...alguns não seguem o fluxo de  olhares encadeados em uma direção, ultrapassam barreiras geradas, arrancam o cabresto e por fim no universo de seres tão iguais aparentam pensamento de desordem, com placas em branco, sem destino nem banco de descanso. Não, não é confusão, só não compartilham ilusão.
Mudam apesar de constantemente impostos a ser, ter e fazer de maneira imperceptível desde que começam aprender, em geral violentamente sujeitos a pensar como todos, uma massa cefálica unificada tão individualista.


-Veja bem, essa é a verdadeira evolução.




terça-feira, 20 de março de 2012

É triste, a roda é muda





Hoje no fim da tarde bebíamos em um bar qualquer ao lado da Praça Ramos, entre risadas de bêbados, próximo de prostitutas escondidas na Boca do Lixo que começavam ocupar becos e vielas. Era praxe dos nossos domingos, rodávamos pelas ruas do centro da cidade sem destino.
Conversas profundas somadas a distância de tanta gente igual, que me causam um alívio costumeiro. Anoiteceu e resolvemos seguir em direção à baixa Augusta, mas Mirit não se levantou. Ela poderia me contar onde vai quando deixa o olhar assim, longe, fixado entre fumaça e copos , rodeada de tantas pessoas de lenda. 
Observo a face da menina estática, com atitude de quem cresceu cedo demais. Não acredita em contos, nem enxerga em cantos o Deus dos fracos. Olhos claros, nem sempre, é que mudam de cor, tão lindos, mas subentendidos, incógnita.
Fuma com volúpia, debate com firmeza. Politica, analítica, escritora cheia de mudança. Constantemente cansada, subitamente revoltada. Efervescente social, provocadora da real, apela por mudança, sofre com desencanto pela vida. Anda com frieza nos corredores de julgamento, e permanece livre de tantas maneiras.
Melancolia sem fim que me domina, poucos sorrisos mas puros. Minimas palavras que valem por um discurso e desmorona qualquer suposto intelectual.


- Mirit, levanta.


Um silêncio propagado com olhar de quem procura existência efetiva me atingiu com violência.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Vida 1: Clama o padê 


Passou entre calçadas jogadas, corpos quebrados e nada fez. Engraçado pensar no descaso desse olhar, sendo que  estiveram congelados com o susto de palavras imundas reveladas quando era ainda inocente, e hoje anda como se tudo estivesse bem, não se importa.
Houve um tempo que foi oposto, agora suposto. Era revolta, nesta hora pouco faz.
O menino cresceu e estagnou, Síndrome do Peter Pan? Nada, inaceitação da realidade. Acontece que não manteve-se criança no sentido puro ou bom, virou homem no corpo e sexualmente, obstruído em drogas leves, pesadas, cheias de gargalhadas. Então encontra-se a explicação para os olhos ágeis mas fundos, mordido. E permanece com atitude de quem brincava com carrinhos.
Seu tempo é vazado, cada minuto narciso, vingativo, tão rápido que esquece de viver.
Rodopia no centro velho de São Paulo, parece uma daquelas historias de filmes de 60 ou 70 cheios de descobertas, mas esqueça o atrativo das telas, o filho da mamãe, paga, consome, vira os olhinhos.
De Rua Augusta à República, é o canto de refúgio, vai de leste a sul, de norte a centro, ocupado com fel na garganta.
Um, mais um, mais dois, mais. Desce um, com gelo. Prepara, prepara três.
Joga sete, tenta mais uma vida, que esta você perdeu.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Quando percebe o desgosto do gasto

"Disfarça que não tem tamanho
Nem foco, nem brilho, nem alma, nem cor..."

Os dias ensinam que nem tudo é visível e nos arrastam com esse vento abafado da cidade iluminada, nessa noites de ilusão quantos andam em espaços de telas em branco?
As avenidas feitas de filmes mudos, nítidas na  madrugada, conturbadas pelo dia.
E permanecemos estagnados,  mas o sangue rápido, transcendente.
Seres com fel no olhar, fúria no falar, maldade replicada. Quantos erros repetidos, quanta gente sem nada.
Humanidade em escala preto e branco, vergonha retratada aos poucos, mentiras em seus devidos lugares.
Conformistas surrados, maniacos alucinados, zumbis de São Paulo, mortos no Mundo.
Meia dúzia de questionadores e bocas caladas, artistas,  humanos que denunciam.

- Nossas expressões em arte como refúgio dos que enxergam através dos muros, falas e vidas formuladas.
- O que pensamos? Viva nosso cérebro por nada!
- Viva nosso refúgio em vão !
- Mas entre mares e espinhos, os gritos podem chegar aos ouvidos dos que querem.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Meu palco



De frente, olhar no espelho, trêmulos vinhos encaram o reflexo dizendo quem deve se tornar, deixar de ser, o que almejar.
As pernas bambeiam e tentam seguir espaços distintos, forças da vontade que são obstruídos em um mundo que tudo é pronto, fácil, mas profundamente é aparência, não tão simples, a sabedoria é comprada e o tempo é ilusão. Opções que cercam e mentem.
Sentar confortavelmente no sofá e imaginar o que poderia ser, mas não é. Sentir a força virando lama, revoltar-se em vão, lembrar que inclusive a inteligência é manipulada e vale caro.
Então sonhar para poder crer, imaginar para mudar, mas levantar e respirar fundo. Gritar as verdades, as nossas. 
Viver em busca, ou em nada. Sorrir, contudo há sentido. Voltar, rever a imagem do passado, lembrar os sonhos da inocência, o sussurro leve da menina que cantava:
- "Saiba o caminho é o fim mais que chegar."
E viver e viver e viver...








domingo, 15 de janeiro de 2012

Home is wherever I'm with you

Apaguem as horas que entristecem o riso limpo, pois chorei quando escutei nosso amor tão de perto.
Realidades inventadas para admirar o submerso em nós.
Ela que preenche o vazio do estômago e o efeito de calafrios na nuca, dos sorrisos sem fim das tardes sem graça.
Esses olhos borrados e arrastados são mais que lágrimas, desgaste de amantes, sentimentos entrelaçados e que desaprenderam caminhar sozinhos.
Sem desespero, nos acostumamos a pertencer como um só, corpos unidos, mentes em conexão.
Tão sua que me perco imaginando o labirinto que é seguir sem te ter, sussurro:


- Me leve onde estiver.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Ela tem o bem que tem


Tom do mar, jeito de acompanhar e roda saia, virada no som das alfaias.
É a pele que chama, passa cachimbo, traga fumaça, menina morena que bamba, mas não deixa de dançar.
Cheia de liberdade, e com tanta vingança, quanta fúria no seu canto, quase cigana.
Sedutora, Maria Padilha do cabaré, sete amores e eu sete mentiras para contar.
Traz chuva do Norte e brilho no sorriso malandro, de canto, encanta, faz iluminar.
Mística nos chama, amante que leva para cama. Mulher, me leva e engana. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Conforme


"Trabalhar embriagado com seu discurso decorado de palavras que nem ele compreende"

T
arde sem pensar, não, mente sem desaceleração com relances brancos, turvos, não sei não.
Me roube ladrão, leve tudo de vez, boca calada e as mentiras para aceitação.
Quantos homens que vivem em vão e comem os farelos da própria gana, rasgam o peito de ganância, sujam as patas com a fome alheia. 
Comem o pão do diabo com a condição de deitar na colcha de seda e salivar suas projeções de vida perfeita.
Contam suas mentiras cheias de ilusão, sobem com o vicio na maldade, esses animais de sangue quente tem um veneno letal. Atitude regular, pessoa no singular que tem a mente do coletivo de repetição, mas vive individualismo repugnante.
Então, suja consciência, não nos renderemos mais.

-Devaneios, quem não faz, fará.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A mesma grana que compra o sexo, mata o amor

Menina doce foi embora, as luzes da cidade atravessaram os olhos, mas envenenaram seus sonhos.
São Paulo engana, prive imundo, descobriu seu jeito de ganhar o pão que come, pó que consome e faz esquecer a vida que carrega, não tem opção, perdição.
Espera o fim do sofrimento, cada hora um homem, vazios sem nome, solitários violados, mulher produto, amor rasgado.
Os becos fundos sem corrida, trocados de violência, povo sem essência.
 Desgastada, quanta lágrima violentada e esboçada em desdém, finge feito artista.

- Só mais uma vez....

sábado, 19 de novembro de 2011

Pra lembrar de nós


Pois desabei em cisma de insistir e dizer que é só você que faz o meu bem querer.
Que te procurei em qualquer rosto, em todo gosto.
E foi que assim decidi  dormir e sonhei que contava sobre nós, e ouvia gente maldizer que era ilusão.
Se fosse meu amor, para você já não cantava, nem ninava nenhuma canção.
Quantas vezes quis deixar e partir, maltratou nossa vontade de permanecer a dois, mas veja quem ficou, porque a verdade é que o amor queria brincar de fingir.



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Quis agir da mesma forma


Parados na velha República, com a chuva e os carros esfumaçados, ruas de história, pessoas sozinhas, a praça mordaz :

- Quantas almas furadas na cidade  formulada, gente pior que o trapo jogado, são ruins por influência, nada de  natureza, falas indecentes.
Ignorantes de qualquer tipo, o escroto que menospreza o nacional, nacionalista cego, ou o apático irracional.
 Os bêbados fugitivos da real, samba, libertários violados, religiosos, os poetas, juventude covarde, adultos, falsos moralistas defensores de uma realidade irreal, quanta gente igual.
Então me conta, diz qual a diferença entre o cidadão médio e o grandioso nada?  Explica, vão além de outros mais?

-Vale mais o bolso recheado que o conhecimento compartilhado entre os iguais. 


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Mais vezes você me ganha

É seu sorriso que valorizo mais que beijos desconhecidos, prefiro amar assim do que vagar sem porque.
Juro que não importa se vão dizer que é inocência sem fim em sentir e saber, pois há quanto tempo, em encontros e desencontros, evidências que não calavam, mesmo com fuga.
Sabe que o tempo nos trouxe, não importa de onde veio, apenas preciso.
O telefone quando mudo e a vontade de correr, te trazer perto, mostrar que de frente, nosso olhar visa mais, é conexão, puro afeto, nada além de nós, nem a mais do que fomos, nem menos do que somos.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Vende-se sonhos

Pensamento feito música, canto de felicidade, manso da verdade, que vontade de sonhar.
Coloca os pés no chão, tem que ser alguém na vida, mas me contem  homens de mentira, quem decretou essa lei? Se documentado estivesse, lamentável seria...ou é.
Quanta fala repetida, quantas cabeças computadorizadas, inúmeros olhares envergonhados que não prestam aquilo que deveriam.
Não, isso nada tem com subversão, é uma tentativa, talvez falha.
Trem parou, café, gritou, o relógio de ponto quebrou , veloz, é tarde. 
Correr pelo certo, você sabe que tem que aceitar. Silencia, confusão que não para.
O mundo corre, nós sobrevivemos, vivemos, o tempo que restar.


domingo, 30 de outubro de 2011

O silêncio é companhia

Partida do marinheiro, um cais que não existe nas novas historias. 
E o reflexo de saudade que assusta.
Quanta besteira lançada na surrealidade do nosso ser e sentir.
Agradável aceitar, degradante ser contrário ao nosso mundo.
Pedaço do passado , sangue estancado e racionalidade sem fluxo, ela chora a Ogum, nem guerreira é.
Mente desfocada, garganta fechada, se chama de egoísta, o mundo vira e somente pensa em si.
E quem disse que aquela é feita para sentir, não sabe a dor de alguém que se foi e daquela que estagnou sem contar:


- Fica um pouco mais.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Amores nos vagões



Se há desilusão não é por querer, e não vejo novidade, pois assim nunca é.
Conexão que era, saudade que fica.
Quem sabe, um trecho deixasse: 

-Não me conheço e vivo a prometer, desapareço tentando disfarçar.
E me desculpa quando eu for sem explicar.
Parece fácil, difícil é sentir, tenho e solto e completo quebrando.
Se um dia me encontrar, depois de tanto, segura minha mão e não solta, aqui houve verdade, mesmo com omissão.

E uma omissão mulher, é pior que uma mentira?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Fratura (não) exposta


Avenidas velozes, bairros parados, esquinas desiguais e templos fechados.
Passo entre carros e rostos exaustos, desenfreados.
O dia prossegue, povos de alarde esfumaçam o céu.
Zepelins, na cidade que não para, jogam no ar frases avulsas de alerta que tentam se acoplar em cabeças restritas as quais desviam com aspereza.
O dono da verdade é um eterno enganador e os senhores da mudança são fundadores de ideologias falhas.
Subversivos se tornam enfim iguais a todos, que são peças e não sabem que jogam.
Ultra-modernos, ultra-passados, movimentos de ignorância, banalidades.

-Olha só, quantos homens sem gosto de viver, fazendo status e imagens de porcelana.
Irônico, vivem a espera de nada, aquele tudo que vem em notas novas.
Veja só, o homem nasceu para traçar paralelo com o mundo e  não fazê-lo sua propriedade.
Inusitado ou óbvio, evoluem materialmente retrocedem mentalmente. 



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Evidente



Escutar mentiras na boca da malícia, animais peçonhentos.
Sentir a maldade de corpos amargos virando fumaça tóxica. Efeito sobre efeito, auto tortura.
Enquanto o mundo morre, o egoísmo de massa maltrata, a ignorância restringe, cabresto atrapalha.
Difícil enxergar quando os olhos se dirigem em única direção, fácil soletrar em tom de superioridade.
Mentalidade seduzida com ideais de maioria, pensamento por si só é inexistente, pedras brutas lapidadas.
Verdade camuflada, mentira ultrapassada.
E a essência? Perdida.