Era uma garota comum,naquela fase de “tenho que ser mas não sou”como todas as outras...desajustada...bom,pelo menos no meio em que vivia.
Não era acostumada a certas coisas, achava que era madura demais,que conhecia a vida,que passara por dificuldades suficientes mas a verdade era que se chocava com miúdos.
Ela se enganava, era jovem demais, despreparada, fechada... Não contava a ninguém aquele desejo que lhe ardia a garganta.
Havia desejo, havia medo ,tudo que lhe cercava parecia grande demais.Percebeu que se fechava em um ciclo,de muita imaturidade e incertezas.
Em uma noite, afundada em uma poltrona com um gosto amargo na boca e sozinha, olhando entediada para aquela mesma programação alienante de todos os seus cansativos dias ,daquela merda que chamavam de cultura ,percebeu que talvez todo aquele modo de viver lhe fosse imposto e enfiado na cabeça de cada novo ser da terra.
Os minutos voaram ,a noite virou dia,as flores cresceram,o mar avançou e algo se tornou muito mais doce.
E assim resolveu ser ela ,sem mais.Resolveu ser humana e não maquina.Resolveu sentir o gosto e não engolir em seco,passou sentir,tatear cada textura e entendeu.
Deixou algo para trás,queria entender o novo,olhava o mundo detalhadamente,com curiosidade,o mesmo que antes lhe aparentava nenhuma cor agora lhe parecia simples e atraente demais.
Isso lhe embaralhava as ideias,mas também lhe causava muita sede.
Em surtos repentinos lhe passava na cabeça:"é que as vezes me da uma vontade de viver".
Tirou toda poeira impregnada de seus ombros,sem se importar,não queria ouvir mais nada,parâmetros deixou de lado,começou viver paro o amor,começou gostar de pessoas e não de sexos,enxergou o outro e em alguns momentos sentiu tristeza.
Deixou seus desejos ardentes escaparem pelos seus olhos,sua boca,por cada ponta de seus dedos e toda aquela vibração que tão contida estava, mandou para o universo como uma bomba de gás que lhe asfixiava havia muito tempo.
E mais,notou que ninguém,nada,pode interferir na vida de outro.Seja humano ou animal.Matéria ou espírito.
Sentiu vontade de viajar,conhecer outros tipos,respirar um pouco de um ar mais úmido e as vezes procurava por um ar mais seco.
Saiu pelas estradas pedindo carona,queria ver pessoas.Nessa viagem,muito deu errado.Passou por momentos que não sabia como sair,mas que muito lhe fizeram perceber que nem sempre tudo caminha de acordo com suas vontades,pensou: “o mundo não é lindo e fresco como os românticos fazem parecer.”
Essa garota cresceu e gritou em cada parte: “E sai da minha frente,porque é como dizia o coelho branco...é tarde,é tarde,é tarde é muito tarde.”

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